
‘O Crime dos Velhos da Camarra’ é o título do livro que será lançado pelo barreirense João Firmino, em 17 de Maio, no Largo de Santa Cruz. “Evocar a história, reabilitar o homem e o Barreiro” é o principal objectivo deste autor que fez o levantamento de toda uma história verídica de um crime que marca a lenda do Barreiro no século XIX.
Um livro sobre “os acontecimentos ocorridos no Barreiro, entre 1900 e 1902, altura em que foi barbaramente assassinado um casal de idosos e foram presos e acusados um número indeterminado de indivíduos, entre os quais vários familiares das vítimas”. Esta poderá ser uma forma de se começar a conhecer um pouco da história retratada em ‘O Crime dos Velhos da Camarra’, livro que tem como personagem principal João Batista Firmino, sobrinho do casal “agiota e avarento” violentamente morto na madrugada de 22 de Setembro de 1900.
- No final do século XIX, início do século XX, a certeza da construção de um mundo ‘perfeito’, trazidos pela civilização e pelo progresso, desabou num enorme estrondo e agonia colectivos.
Um livro sobre “os acontecimentos ocorridos no Barreiro, entre 1900 e 1902, altura em que foi barbaramente assassinado um casal de idosos e foram presos e acusados um número indeterminado de indivíduos, entre os quais vários familiares das vítimas”. Esta poderá ser uma forma de se começar a conhecer um pouco da história retratada em ‘O Crime dos Velhos da Camarra’, livro que tem como personagem principal João Batista Firmino, sobrinho do casal “agiota e avarento” violentamente morto na madrugada de 22 de Setembro de 1900.
Acusado da morte dos seus tios paternos, João Batista – como o trata o autor do livro – nunca conseguiu provar a sua inocência, face a um crime considerado dos “mais violentos da história do país”. Por esta razão, João Firmino, autor de ‘O Crime dos Velhos da Camarra’ e bisneto do acusado, decidiu publicar em livro as histórias contadas em infância pelos seus familiares e que defendem o seu bisavô de um “crime do qual nunca se soube quem era o autor”.
Embora comprovada a inocência de João Batista, este “morreu inocente e de desgosto” na Cadeia do Limoeiro, em 18 de Maio de 1902, nunca se tendo “reabilitado” o seu nome desde então. Esta é uma função que João Firmino assume com a publicação do seu livro. Em causa está “reabilitar o nome de João Batista, mas também o nome da família e do Barreiro”, já que também a cidade foi enxovalhada com este crime e não houve tempo de reabilitá-los face ao nascimento da República e da CUF no Barreiro.
“Reviver a história” é, de igual modo, um fim pretendido neste romance histórico que envolve drama e trágico-comédia, no qual João Firmino revela que o século XIX, embora aparentado de boas novas, culminou, na década de 90, no “caos e numa espécie de sinfonia de peditório devido à fome e à miséria”.
O livro vai ser lançado, formalmente, em Lisboa na livraria Byblos, a 16 de Maio, pelas 18h30 horas, com o apoio de várias personalidades conhecidas do país. O livro será ainda apresentado no Barreiro, em 17 de Maio, pelas 15 horas, hora em que decorrerá uma evocação histórica do final do século XIX na zona antiga do Barreiro, com um percurso pedestre, guiado por Fernando Mota, com início na Igreja Nossa Senhora do Rosário. Pelas 16 horas, do mesmo dia, será lançado o livro, no Largo de Santa Cruz, Misericórdia do Barreiro. A apresentação e o debate contarão com a presença do presidente da Câmara Municipal do Barreiro, do provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro e da investigadora de História, Mestre Maria Alice Samara.
Pequenos tópicos do Autor:
- No final do século XIX, início do século XX, a certeza da construção de um mundo ‘perfeito’, trazidos pela civilização e pelo progresso, desabou num enorme estrondo e agonia colectivos.
- Dentro desse tempo, ocorreu no Barreiro um dos Crimes mais violentos da história do país.
- O crime revelou o pulsar da vila republicana, na agonia da Monarquia, e o sacrifício do Carpinteiro João Batista (livre-pensador, republicano, maçon e carbonário), acusado de um crime que não cometeu, definhando e morrendo na cadeia do Limoeiro.
- O livro vem evocar um nome, uma família, uma vila, um país e um tempo histórico, que o novo tempo do século XX (o tempo universal e a emergência do homem de sucesso), quase apagou da nossa história.
- O sacrifício do revolucionário republicano do Barreiro, humilde carpinteiro, Mestre-de-Obras, Livre-Pensador, Carbonário, filiado em duas lojas maçónicas, mostrou-nos que no final de um caminho, que termina abruptamente num caos e num absurdo, há uma possibilidade de reconstrução de novos caminhos, de novas ordens, feita de silêncios e de afectos, porque a História é uma história com muitas histórias.
Autora: Ana Lourenço Monteiro 30 de Abril de 2008
In: jornaldobrarreiro.com.pt (Clique no título para ver o original)
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